quarta-feira, 17 de agosto de 2011
OS USTRAS
Os ustras
Este artigo foi escrito em parceria com o Dr.Evandro Oliveira, advogado barrense de notório saber , filho do saudoso Dr.Júlio Nogueira Oliveira, o decano dos advogados não só de nossa Barra , como do Estado . O Dr. Evandro preside a Academia Barrense de Letras da qual também faço parte . Neste trabalho tece comentário sobre sua vivência na nossa cidade, e completa com algumas observações . Afirma que embora não seja seu hábito , inicia estas reflexões com reminiscências pessoais , e segue assim dissertando, que é natural que aqueles que sempre pautaram sua conduta de modo digno, anseiam pelo reconhecimento de seus atos, e afirma que não há mais pessoas públicas como antigamente .De vez em quando, recorda-se de uma delas , e tem dificuldades em lembrar exatamente de uma decisão que não tenha sido compreendida pela parte adversa. O caráter desses homens públicos se sobrepunha a possíveis irresignações por parte daqueles que não comungavam com suas ideias. De modo geral lembra-se deles com uma só imagem : a da imparcialidade, visando sempre o bem estar da população . Esta lembrança, algumas vezes tingidas pela esperança e outras vezes pálidas de efêmera tristeza, que a solidariedade dos colegas barrenses , discreta, quase muda, aliviava. E aqui chegamos ao cerne da questão : nunca deixou Barra, as casas , as ruas e os bairros de sua infância., e mais, embora tenha vivido em ares diferentes de tempos em tempos, inclusive no exterior , cinquenta anos depois voltava ao mesmo lugar, onde suas primeiras fotografias foram tiradas por sua mãe que o pegou no colo para mostrar-lhe o mundo. Continua dizendo que Barra é seu destino, porque ela fez o que hoje ele é. Sempre acreditou que quando se tornasse adulto a cidade seria a mais importante do Vale do Paraíba, pois seu pai dizia isto. Mas infelizmente aconteceu o inverso , com cidades circunvizinhas , menores , crescerem a olhos vistos e Barra quase chegando a ser esquecida. A cidade que nasceu era bela, próspera e seu povo feliz. Hoje a vê como uma cidade dominada pelas ruínas e pela melancolia que grassava no fim do Império . Não somos filhos da catarse , somos barrenses que se importam com o destino de nossa cidade Tudo seria mais simples e menos doloroso se nâo fôssemos filhos do medo . Alguém tem que parar com isso. O quão pouco brilhantes são os ustras que se escondem nas sombras. A manifestação direta dos cidadãos , mesmo em Atenas, podia levar o Estado a decisões desastrosas e isso ocorreu mais de uma vez , no que se refere à política , em suas amplas frentes . Para corrigir isto, os legisladores gregos criaram a "eisangelia", medida constitucional que punia com o banimento e a morte os demagogos que, na praça pública, convenciam à massa a aceitar decisões que posteriormente provavam ser danosas ao povo . É fácil enganar as massas e levá-las a aceitar resignadamente decisões das quais serão as vítimas , logo em seguida . Também eram punidos com a "eisangelia" os homens públicos que assaltavam o erário e mentiam para a população. . Fazer discursos e lançar frases prontas não é essencial . Essencial é a sinceridade, pelo menos tentar ser sincero de todo o coração . Isto, em si só, já é um estilo.Um homem público que não é transparente não serve para nada. A esperança é um direito do homem . Quem pisa na esperança de um homem pisa no seu futuro . Quem pisa no seu futuro o condena à humilhação , à miséria , à fome e à morte . Já dizia Tancredo Neves que sempre que se aproximava um plebiscito, ele pressentia o ruído das sandálias de Cesar. Cabe aos leitores uma reflexão a este respeito, dos ustras que estão nos envolvendo e que manobram como no Reino de Brogodó todas as políticas que visam os seus próprios interesses . Até breve.
Heraldo Bichara - ex-Vereador e Professor aposentado e Dr. Evandro de Oliveira - advogado.
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